A parábola da ovelha perdida

Quando entramos nessas parábolas — a parábola da ovelha perdida, a parábola da moeda perdida —, a primeiríssima coisa que noto é que existem dois grupos distintos de pessoas fazendo duas coisas muito diferentes. Há os cobradores de impostos e “pecadores”, e há os fariseus e os mestres da lei. É fascinante que os cobradores de impostos e “pecadores” estavam se reunindo ao redor de Jesus para ouvi-Lo, enquanto os fariseus e mestres da lei murmuravam. Isso sugere que, quando Jesus está envolvido, podemos ser “Acolhedores” ou “Murmuradores”. Minha oração esta manhã é para que sejamos “Acolhedores” e realmente O ouçamos. Para esse fim, vamos orar juntos.

Esta parte da Bíblia registra três histórias que Jesus contou. Começamos com a parábola da ovelha perdida.

Amigos, quando a Palavra de Deus nos compara a ovelhas, não é um elogio. As ovelhas são teimosas, elas se perdem e, sem um pastor, pereceriam. A Bíblia diz: “Todos nós, como ovelhas, nos desviamos, cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho…” (Isaías 53:6). Mas quando Jesus conta a história do homem que tinha cem ovelhas e uma se perde, a história não é realmente sobre a ovelha — é sobre o Pastor que deixa as noventa e nove para ir atrás daquela uma até encontrá-la.

Elas se perdem. Elas seguem o próprio nariz para onde quer que seja e nunca prestam atenção onde estão ou para onde estão indo. Mas elas também seguem umas às outras. Lembro-me da história da professora de matemática do ensino fundamental que estava tentando explicar uma subtração simples para seus alunos, que eram crianças da fazenda. Então ela colocou a questão em termos agrícolas:

— Billy, se você tem 27 ovelhas no curral e uma sai, quantas restam no curral?

— Nenhuma, professora — diz Billy.

— Vamos lá, Billy. Vinte e sete ovelhas no curral e uma sai. Quantas restam no curral?

Novamente Billy diz: — Nenhuma, professora.

A professora diz: — Veja, Billy, se há 27 ovelhas no curral e uma sai, sobram 26 no curral. Vejo que você realmente não sabe matemática.

— Professora — diz Billy —, se houver 27 ovelhas no curral e uma sair, não sobrará nenhuma no curral. Vejo que a senhora realmente não conhece as ovelhas.

As ovelhas são assim. Elas seguem umas às outras.

Mas elas também são teimosas. Têm vontade própria. Judi e eu estávamos visitando amigos na África do Sul durante uma viagem que fizemos com a organização Food for the Hungry em 1999. Eles moravam em uma propriedade de área semi-rural e tinham, entre outras coisas, algumas ovelhas. Pela manhã, a filhinha deles, Angela, entra um pouco animada e conta ao pai que as ovelhas fugiram. Então, fomos todos lá fora para cercar as ovelhas. Bem, conseguimos colocar duas de volta com bastante facilidade, mas uma não estava cooperando. Nós meio que a encurralamos e nos movemos em direção ao portão, e de repente a ovelha disparava e ia para o outro lado.

Depois de algumas tentativas e de alguns comentários editoriais sobre a inteligência geral das ovelhas surgidos de nossas frustrações, Angela — ela tinha talvez três anos — diz: — Mas, papai, a ovelha quer fazer o que a ovelha quer fazer.

E esse é o problema com as ovelhas. A Bíblia diz assim:

“Todos nós, como ovelhas, nos desviamos, cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho…” — Isaías 53:6

A ovelha quer fazer o que a ovelha quer fazer.

Portanto, quando Jesus conta a história de um homem que tinha cem ovelhas e uma se perde, isso não é uma surpresa para quem conhece ovelhas. Mas a história não é realmente sobre a ovelha. A história é sobre o pastor.

“Não deixa ele as noventa e nove no campo e vai atrás da ovelha perdida até encontrá-la?”

Algumas observações:

Como ele sabia que faltava uma? Duas possibilidades: ou ele conhecia cada uma pelo nome e uma não respondeu à chamada, OU ele as contou. Incluo isso porque não é incomum nas igrejas torcer o nariz para a ideia de fazer contagens. Mas quando contamos, o que estamos fazendo é exercer o cuidado com o povo de Deus. Queremos saber: estamos todos aqui e presentes ou alguém está faltando e talvez precise de ajuda?

Segunda observação. Ele não deixou as 99 em perigo. Ele as deixou no campo (ou descampado), o que, por natureza, seria relativamente seguro contra predadores. É importante entendermos que o cuidado de Deus se estende a cada um de nós. As 99 podem se aconchegar para sua segurança, e as ovelhas também fazem isso. Amigos, Deus está atento às necessidades de cuidado das pessoas que estão dentro da Igreja, bem como das que estão fora dela. Ele não se esquece das 99 enquanto vai em busca daquela uma.

Por quanto tempo ele busca? “Até encontrá-la.” Deus não quer que ninguém pereça, e essa história nos dá um vislumbre de quão comprometido Ele está com essa tarefa. Por quanto tempo o Senhor Jesus busca uma alma perdida? Até encontrá-la. Por quanto tempo devemos manter nossa busca para ganhar a alma de uma pessoa em particular? Até que ela seja encontrada. Quero dar um salto rápido para dentro e para fora da segunda parte da história. Por quanto tempo a mulher procura a moeda perdida? Até encontrá-la.

Anjos na Realidade

Roland Buck foi pastor de uma igreja em Boise, Idaho, por muitos anos. Ele já partiu para estar com o Senhor, mas há cerca de 35 anos, o Pastor Buck teve uma série incomum de eventos em sua vida. Ele teve uma série de visitações de anjos, e uma das coisas que eles lhe disseram foi como eles cooperam na busca pela salvação das pessoas. Eles lhe disseram que organizam um conjunto de circunstâncias para levar uma pessoa ao lugar onde ela tem que tomar uma decisão, seja por Cristo ou contra Ele. Aqui está o que me impressionou:

“Se essa pessoa optar por não se entregar a Cristo neste momento, não desanime. Nós não desistimos; simplesmente começamos de novo. Organizaremos um novo conjunto de circunstâncias para trazer esse indivíduo de volta ao ponto de decisão. Faremos isso quantas vezes for necessário, ATÉ que essa pessoa aceite a Cristo ou morra recusando-se a fazê-lo.”

Se essa pessoa, naquele momento, decidir não se entregar a Cristo, o anjo disse ao Pastor Buck que eles não desanimam nem desistem; eles simplesmente começam de novo a preparar outro conjunto de circunstâncias para trazer essa pessoa novamente ao ponto de decisão. E farão isso quantas vezes for necessário, ATÉ que essa pessoa aceite a Cristo ou morra recusando-se a fazê-lo.

Acho que Deus pode estar nos dizendo: “Continue firme”. Não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo devido colheremos se não desfalecermos. Não pare de orar por essa pessoa. Não pare de procurar oportunidades para compartilhar Cristo. Não pare de ajudar seu vizinho. Não pare de servir ao Senhor. Não deixemos de nos reunir; de fato, façamos isso mais do que nunca, diz a Escritura, ao ver que o Dia se aproxima. Por quanto tempo continuamos nisso? “Até que Ele venha” (1 Coríntios 11:26). Sempre é cedo demais para desistir.

O que acontece quando o pastor encontra a ovelha que estava perdida? “Ele alegremente a coloca nos ombros e a leva para casa. Então, reúne seus amigos e vizinhos e diz: ‘Alegrem-se comigo; encontrei a minha ovelha perdida.'”

Este é o ponto Dele: “Digo-vos que, do mesmo modo, haverá MAIS alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.”

“Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.” — Lucas 19:10

E Ele continua buscando até encontrar. Temos um Salvador que busca. Uma grande parte do nosso chamado é nos juntarmos a Ele na busca pelos perdidos.

Tudo bem, estivemos no campo, no pasto; vamos entrar na casa. Aqui está uma mulher que tem 10 moedas de prata e perde uma. Essa moeda faria parte de um conjunto — possivelmente parte do seu dote de casamento, que ela poderia usar em uma corrente ou guardar em uma bolsa. A ideia da corrente faz sentido, pois explicaria a perda. Por qualquer motivo, essa moeda era preciosa para aquela mulher, e ela estava determinada a recuperá-la. Então ela acendeu uma lâmpada, varreu a casa e procurou cuidadosamente — por quanto tempo? — ATÉ ENCONTRÁ-LA.

“E, achando-a, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: ‘Alegrem-se comigo, porque achei a dracma perdida.'” Da mesma forma, há alegria na presença dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende. A alegria aqui é que o conjunto está completo novamente. O perdido foi achado. Os anjos de Deus se alegram quando uma pessoa chega ao arrependimento.

Mais algumas observações:

Há um Pastor buscando o perdido lá fora. Ele nos convidou — ou melhor, nos convocou — para nos unirmos a Ele em Seus esforços. Mas há uma mulher na casa que está buscando o que se perdeu na casa, e, permitam-me dizer, isso fala diretamente conosco. A igreja é sempre representada como uma noiva, e a redenção é sempre tipificada sob o símbolo da prata. Portanto, nós, a igreja, precisamos ser diligentes em nossa própria casa, mantendo nossas lâmpadas acesas e brilhando, procurando cuidadosamente por qualquer pessoa que possa estar entre nós e que talvez não conheça o Senhor.

Nem a ovelha nem a moeda sabiam que estavam perdidas. Uma pessoa pode estar perdida lá fora no mundo, e uma pessoa pode estar perdida bem dentro da casa da igreja. Um dos fatos surpreendentes da vida é que as pessoas perdidas, na maioria das vezes, não sabem que estão perdidas. Se soubessem, provavelmente fariam algo a respeito. E é interessante que, quando Jesus chega à parte 3 da história — o filho mais novo —, é quando ele percebe que está “perdido” que toma a decisão de voltar para a casa do Pai.

Então, o que temos aqui na história? Temos celebrações alegres quando coisas perdidas são encontradas. E temos a comparação que Jesus faz, dizendo que há alegria no céu quando um pecador se arrepende, e há ainda mais alegria no céu por um que se arrepende do que por 99 que não precisam de arrependimento. E se quisermos saber como isso funciona: o céu já se alegrou antes, quando cada uma dessas 99 pessoas se arrependeu.

E então Jesus contou a terceira história, a história de gente. O filho mais novo, que deliberadamente se afasta da casa do Pai, esbanja seus recursos e vai parar no chiqueiro. Já disse antes que é difícil imaginar algo pior para um rapaz judeu do que ter que alimentar porcos. Mas ali ele cai em si, se arrepende e volta para a casa do Pai.

Você pode perguntar: “Por que o Pai não saiu para procurá-lo?” Ao que responderei que o Pai saiu, sim, para procurá-lo. Provavelmente todos os dias, e continuou fazendo isso ATÉ aquele dia em que o viu vindo quando ainda estava “ao longe”. Ele o procurou, mas não correu atrás dele. Por que não?

Porque aquele rapaz não apenas se desviou sem querer. Ele partiu voluntária e deliberadamente, e sabia exatamente para onde precisava voltar. Uma ovelha não pode tomar esse tipo de decisão. Uma moeda não pode tomar esse tipo de decisão. Mas uma pessoa pode. Pode haver um pastor que busca e uma igreja que procura, mas as pessoas — cada pessoa que se arrepende de seu pecado e entrega sua vida a Cristo — devem, e repito, devem fazer uma escolha consciente de deixar o pecado para trás e voltar para casa, para Jesus.

E é aqui que as histórias se encontram. O Pai imediatamente iniciou uma festa, refletindo a alegria no céu entre os anjos quando um perdido é encontrado.

Mas, se você perguntar: qual é a do irmão mais velho? Lembra-se de onde isso começou? Os cobradores de impostos e pecadores estavam se reunindo para ouvir Jesus. Eles são a ovelha perdida; eles são a moeda perdida; eles são os filhos perdidos. E Deus, o Pai, Jesus, o Filho, e todos os anjos no céu estão encantados por eles estarem se reunindo, ouvindo, crendo, se arrependendo e recebendo.

O irmão mais velho representa os Murmuradores. Os críticos. Aqueles que acham que Deus não deveria ser tão misericordioso. Para aqueles que ouviram a mensagem do último domingo: estes são os que querem fazer suas próprias flexões. E não acham que os outros devam ganhar a rosquinha quando foi o Steve quem fez as flexões.

Mas quando vemos como o céu se alegra por um pecador que se arrepende, quando vemos como o Pai faz uma festa gigantesca quando um filho perdido volta para casa, isso deveria nos mover a buscar a ovelha perdida também, e continuar fazendo isso até que seja encontrada.

Depois da ovelha perdida, Jesus fala da mulher que perde uma de suas dez moedas de prata. Ela acende uma lâmpada, varre a casa e procura cuidadosamente — até encontrá-la. E quando a encontra, ela se alegra. Da mesma forma, há alegria na presença dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende.

Há um Pastor buscando o perdido lá fora, e Ele nos convocou para nos unirmos a Ele. Mas também há uma mulher na casa buscando o que está perdido, o que fala diretamente a nós. Precisamos ser diligentes em nossa própria casa, mantendo nossas lâmpadas acesas, procurando por qualquer pessoa entre nós que possa não conhecer o Senhor. As pessoas perdidas muitas vezes não sabem que estão perdidas, assim como a ovelha e a moeda não tinham consciência disso.

Finalmente, Jesus conta a história do filho mais novo que deixa a casa do Pai. Ao contrário da ovelha ou da moeda, esse filho toma a decisão voluntária de retornar. Quando ele volta, o Pai inicia uma festa que reflete a alegria vivida pelos anjos na realidade quando um perdido é encontrado.

Quando contemplamos a parábola da ovelha perdida, vemos o coração de Deus. Se quisermos nos alinhar com esse coração, devemos deixar de ser “Murmuradores” e começar a ser “Acolhedores”. Quando vemos como o céu se alegra por um pecador que se arrepende — quando vemos como o Pai faz uma festa gigantesca —, isso deveria nos mover a buscar os perdidos e continuar fazendo isso até que sejam encontrados.

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