Vencendo a Batalha Espiritual

Efésios 6:10-20

Não será surpresa para absolutamente ninguém o fato de enfrentarmos uma batalha espiritual em nossa caminhada com Deus. Todos nós já estivemos no calor de uma batalha espiritual. É um consolo saber que Deus, em Sua Palavra, reconhece a realidade desses conflitos e providencia uma armadura para eles. É para lá que queremos ir esta manhã.

1. Existe uma luta

Efésios 6:12: “Pois a nossa luta…”

Esta é uma palavra muito ilustrativa. Ela vem de um verbo que significa duas coisas:

  • i) “Girar em círculos”: Por acaso, assisti a um vídeo no meu computador de uma luta livre e não pude deixar de notar como os lutadores andavam em círculos enquanto se agarravam um ao outro em sua luta. Você já sentiu como se sua vida estivesse andando em círculos? Luta!
  • ii) O segundo significado é “balançar para frente e para trás”: Vi outro vídeo de dois cervos lutando. Um empurrava o outro para trás, depois o segundo se firmava e empurrava o primeiro de volta. Você já sentiu que sua vida tem sido uma série de avanços e retrocessos, avanços e retrocessos? Luta!

Parte integrante da nossa caminhada com Deus são as lutas pelas quais passamos; as batalhas que travamos.

Em 1 Timóteo 6:12, Paulo fala sobre “o bom combate da fé”.

Tiago, no capítulo 4, versículo 1 de sua carta, escreve sobre as “paixões que guerreiam em seus membros”.

O apóstolo Pedro nos aconselha a nos abster dos desejos carnais, porque esses desejos “guerreiam contra a alma” (1 Pedro 2:11).

Todas essas são imagens de luta, e a maioria de nós, se não todos, já esteve em um ou outro desses campos de batalha, ou em algo parecido.

Quão intensas podem ser essas lutas? Resposta: muito intensas! Em 1 Timóteo 6:12, tanto o substantivo quanto o verbo — “combata o bom combate da fé” — vêm da palavra de onde deriva a nossa palavra em inglês para “agonia” (agony).

O primeiro, o substantivo, é usado para designar um lugar onde as pessoas se reúnem para uma competição; o segundo, o verbo, descreve competir por um prêmio, lutar contra um adversário ou esforçar-se para realizar algo.

Acho que todos podemos concordar: nossa caminhada com Deus envolve algumas lutas! E poderíamos perguntar: “Por que isso? Se Deus é todo-poderoso e está cuidando de nós, por que há uma luta?” Resposta: porque…

2. Identificando o Adversário: Por que a Batalha Espiritual é Real

1 Pedro 5:8:

“O diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão que ruge, procurando alguém para devorar.”

Quem é o nosso adversário?

  • A igreja logo adiante na rua? Não.
  • O Governo Federal? Quem sabe o Provincial? Não.
  • O irmão “Faca de Dois Gumes”? Ou talvez a irmã “Lixa”? Também não são eles.
  • Às vezes os homens pensam que é a esposa; às vezes as mulheres pensam que é o marido.

Não é NENHUM dos acima! “O inimigo de vocês”, diz Pedro, é “o diabo”. Ele anda ao redor, procurando alguém para devorar.

Mas, por favor, note o seguinte: só porque ele está por aí rondando, não significa que ele tenha que encontrar um almoço! E só porque ele ruge como um leão, não significa que ele seja um!

Jesus é o Leão da tribo de Judá.

São os justos que são corajosos como o leão (Provérbios 28:1).

Satanás, desde o Calvário, tem pouco mais poder, como observou um escritor, do que um camundongo com um megafone!

Ele faz muito barulho; faz muitas reivindicações; faz muitas acusações; sussurra muitas perguntas; conta muitas mentiras — mas ele é, na verdade, apenas um inimigo derrotado. Suas principais armas são o engano, a incerteza e o medo, e com muita frequência caímos em suas mãos por ignorância e incredulidade.

Existe uma luta porque existe um adversário. Deus, em Sua Palavra, nos diz quem é o adversário e nos fala sobre a natureza da luta.

Efésios 6:12:

“Pois a nossa luta não é contra pessoas de carne e sangue, mas contra… as forças espirituais do mal nas regiões celestiais.”

A parte do meio da passagem descreve essas forças espirituais. Elas são os governantes, as autoridades, os poderes cósmicos das trevas deste mundo, e são esses conspiradores demoníacos que são os engenheiros e arquitetos da tentação, do engano, da intimidação, da opressão e de todas as outras coisas que trazem lutas para as nossas vidas.

Mas a pergunta que todos querem ver respondida é:

3. Como vencemos?

Como podemos obter e manter a vitória neste conflito?

Boas Notícias! É para aí que a passagem de Efésios 6 nos leva.

“Vistam toda a armadura de Deus”, diz o texto, “para que possam estar firmes [isso é vitória, não é?] contra as ciladas do diabo.”

Não pretendo examinar cada peça do arsenal, mas sim examinar com vocês como as instruções são estruturadas, porque me parece que isso nos dá uma pista de como elas podem funcionar melhor para nós.

Do versículo 13 ao 20, existem no texto original três verbos no imperativo — três ordens. O restante são detalhes explicativos. Essas formas nos permitem compreender qual é o foco principal e quais são as instruções de apoio. Então, vamos olhar:

i) O primeiro dos mandamentos está no v. 13: “Tomem” a armadura completa de Deus. A NVI diz: “Vistam…”. A imagem é a da armadura deitada aos nossos pés, e nós ou a ignoramos, ou nos curvamos, a pegamos peça por peça, passo a passo, e a vestimos. O uso do imperativo forte aqui é a maneira de Deus nos dizer: “Vocês têm que fazer isso!”

Nota: é VOCÊ, somos NÓS que temos que fazer isso. Deus não fará isso por nós. Ele a providenciou; é nossa responsabilidade tomá-la e vesti-la.

Portanto, este é o ponto de partida para a vitória nas batalhas espirituais. Fomos ordenados a tomar a iniciativa, pegar a armadura que Deus providenciou e vesti-la.

ii) O segundo imperativo está no versículo seguinte — versículo 14: “Mantenham-se firmes, pois…”. O restante dos versículos 14, 15 e 16 descreve o que teremos de fazer para alcançar essa posição. O objetivo é manter-se firme. Vestir as peças da armadura é a preparação necessária para isso.

É um pouco como dizer: “Faça um bom trabalho hoje”. Entendemos que isso significa se preparar e se vestir com antecedência. Sendo assim, colocar a verdade no lugar, colocar a justiça no lugar, ter a prontidão do firme fundamento e tomar o escudo da fé são os meios básicos pelos quais nos defendemos contra os ataques do inimigo. Eles são os pré-requisitos para nos mantermos firmes. É assim que vencemos nossas batalhas espirituais pessoais.

O inimigo tem duas abordagens básicas para tentar nos tirar da nossa posição em Cristo. Uma é tentar nos atrair ou nos seduzir. É disso que se tratam a tentação e o engano. A outra abordagem é tentar nos empurrar.

É disso que se tratam a intimidação e a acusação. Há outros dois esquemas que ele usa. Um é tentar nos encher de orgulho. O antídoto de Deus para isso é: “Humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus” (Tiago 4:10 / 1 Pedro 5:6). E se o diabo não conseguir inflar você de orgulho, ele tentará empurrá-lo para baixo — isso é opressão.

Temos que resistir a isso também, e fazemos isso melhor focando na verdade do nosso relacionamento com Cristo. Se tivermos a armadura no lugar e mantivermos nossos olhos no Senhor e em Sua verdade, seremos capazes de vencer essas batalhas. Seremos capazes de nos manter firmes. A Bíblia diz: “Sujeitem-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês” (Tiago 4:7). Resistam às suas tentações; resistam aos seus esforços de acusar ou intimidar. Resistam aos seus esforços de inflar você de orgulho; resistam aos seus esforços de empurrar você para baixo ou para fora do caminho. É disso que se trata manter-se firme. E recebemos uma armadura espiritual para nos equipar para isso.

iii) Tomem

Quando vestimos a armadura básica; quando nos estabelecemos na fé, na verdade e na justiça, então é hora de receber o capacete do nosso time e a espada do nosso ministério e ir para a ofensiva por Deus. E esse é o terceiro imperativo.

“Tomem o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (v. 17). O único mandamento cobre ambos os objetos. Esta palavra traduzida como “tomem” se traduziria literalmente como “receber e reter; acolher e segurar firmemente”. É como se Deus estivesse nos apresentando o capacete e a espada, e nós os estivéssemos agarrando com mãos ansiosas. Percebo que temos que ter nossas defesas pessoais de Deus no lugar, mas para conhecer a dimensão total da vitória também devemos montar alguma ofensiva. Na maior parte do tempo, somos apenas defensivos.

Estou aprendendo mais sobre hóquei por estar envolvido na capelania da liga AA Midget, e uma das ênfases que gravei é que você não pode vencer se não marcar gols! Como embaixadores de Cristo, precisamos montar alguma ofensiva — “marcar alguns pontos no placar”, por assim dizer, e este imperativo nos diz que Deus fará parceria conosco para fazer isso. Deus não está nos chamando para ignorar as nossas próprias lutas, mas um dos truques do inimigo é nos deixar tão envolvidos em nossas próprias lutas que não abordamos mais nada.

Agora, continue lendo. Esta passagem de Efésios 6:10-17 flui perfeitamente para os versículos 18-20, que é um convite e encorajamento poderoso à oração. Isso é extremamente apropriado porque a oração é a dinâmica pela qual todas as outras coisas funcionam. Então, ore quando tomar a armadura.

Ore quando a vestir. Ore quando a usar. Ore no Espírito. Orem uns pelos outros. Orem pela pregação da Palavra de Deus, para que seja feita sem temor e com eficácia — não apenas no púlpito, mas nas ruas, lojas, lares e nas interações entre crentes e descrentes em todos os lugares, o tempo todo.

Vistam a armadura de Deus. Mantenham-na vestida. Durmam com ela, se for preciso! E mantenham-se firmes contra as tentações, acusações, intimidações, mentiras e opressões do inimigo.

Existem lutas. Mas existe Vitória! E não há atalhos. Se quisermos vencer as batalhas espirituais, precisaremos entrar no vestiário da oração e vestir a nossa armadura. Depois, teremos de aceitar a identidade do nosso time — o capacete da salvação — e aprender a usar a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus.

Então seremos capazes de declarar com confiança:

“Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo!” (1 Coríntios 15:57).

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