Sem Morte na Panela: Convidando a Presença de Deus na Rotina

Na história de Eliseu, o sal lançado na fonte em Jericó transformou águas amargas em uma fonte de vida e cura. Esse ato foi mais do que um milagre; foi uma profunda ilustração de restauração espiritual. Assim como Eliseu levou o poder purificador de Deus a uma terra estéril, somos chamados a levar o “sal” da Sua presença para os ritmos diários da nossa própria existência. Convidar Deus para a vida diária é o primeiro passo nesse processo transformador.

Quer você esteja lidando com exigências profissionais, projetos criativos no ateliê ou momentos silenciosos de reflexão, reconhecer a soberania dEle transforma o trivial no sagrado. Buscar a presença e a sabedoria divina purifica as “águas amargas” das nossas próprias ansiedades e lutas. Aprendamos a cultivar uma vida onde o Divino não seja um mero visitante, mas a própria fonte da qual fluem nossa força, perseverança e propósito.

Outra noite, no estudo bíblico dos homens, o Murray compartilhou um pedido de oração. O genro dele está em Ottawa fazendo um treinamento ao ar livre e há muita chuva na previsão; esse rapaz disse que, embora goste de atividades ao ar livre, não é muito fã de treinar na chuva. Dá para dizer que eles têm um problema com água.

A Palavra de Deus relata um problema de água de um tipo diferente. Esse aconteceu em Jericó, e 2 Reis 2:19-22 nos dá os detalhes. A cidade era bem localizada, mas a água era ruim e a terra, sem dúvida por causa disso, era improdutiva. Como tirar o “mal” da água? Eles levaram o problema a Eliseu, e ele lhes deu uma solução: “Tragam-me um prato novo e coloquem sal nele… Então ele foi à fonte e jogou o sal ali, dizendo: ‘Assim diz o Senhor: Eu purifiquei estas águas. Nunca mais elas causarão morte ou tornarão a terra improdutiva.’ E a água permaneceu pura até o dia de hoje.”

As águas foram curadas quando colocaram um pouco de sal.

Preciso dizer algo aqui: o sal não curou a água; o Senhor curou a água. Mas Ele a curou por meio do ato de obediência do Seu servo: pegar o prato novo, colocar sal nele e lançar o sal na fonte. Para nós, convidar Deus para o dia a dia é esse ato de obediência que sinaliza que estamos prontos para a Sua intervenção.

A segunda coisa que preciso dizer é que isso não é sobre dieta. Não é sobre adicionar sal para fazer uma alimentação ruim ficar boa. Na maioria das vezes, temos que reduzir o sal para melhorar a dieta. Então, quero deixar isso bem claro: não saiam daqui pensando que o Pastor Arni está recomendando colocar mais sal na comida!

Certo, vamos avançar alguns capítulos até 2 Reis 4:38-41. Aqui temos outro problema, semelhante, mas diferente.

Há uma fome na região de Gilgal. O profeta Eliseu está reunido com o grupo de profetas e percebe que eles estão com fome. Então, orienta seu servo a colocar a panela grande no fogo e fazer um ensopado. Alguém sai para colher ervas e encontra uma trepadeira silvestre com alguns frutos. Muito possivelmente por causa da fome, ele deve ter pensado: “Ah, eis a solução para a falta de comida!”

Ele colheu vários, cortou-os e colocou no ensopado, “…sem que ninguém soubesse o que era.” Quando os homens começaram a comer, perceberam algo muito errado: “Há morte na panela!” E não puderam comer.

Fica a dica, pessoal: quando forem colher coisas na natureza para comer, saibam o que estão pegando. Nem tudo o que está lá fora é comestível!

Voltando a Gilgal: eles não podiam comer o ensopado. Como tirar o veneno de uma panela de ensopado? Eis o que Eliseu diz: “Tragam um pouco de farinha.” Ele a coloca na panela e diz: “Sirvam ao povo.” E já não havia nada de nocivo na panela.

O ensopado foi “curado” ao acrescentarem a farinha. A farinha “desenvenenou” o ensopado? Creio que não. O Senhor é quem retirou o veneno. Mas Ele o fez inspirando o profeta a uma atitude específica, a qual Deus usou para realizar uma obra milagrosa em favor do povo. Agora, preciso dizer isto: adicionar farinha não é a cura milagrosa para comida envenenada. Por favor, não pensem que basta jogar farinha que tudo ficará bem! A farinha é boa, mas não é cura para alimento estragado.

Qual é o ponto desses dois episódios? Há dois pontos, na verdade. O primeiro, e talvez o menos óbvio: quando enfrentamos um problema, devemos olhar para o Senhor em busca da solução. Ele está disposto a nos ajudar assim como esteve disposto a ajudá-los.

O segundo ponto — e, para mim, o principal — é este: a resposta humana a uma situação costuma ser tentar se livrar do problema, remover algo. A solução de Deus para os nossos problemas terrenos, quase sempre, é colocar algo. Lembro-me de uma história que um colega me contou sobre um membro da igreja que estava em um grande apuro e orava fervorosamente:

“Senhor, me tira disto!”

O pastor, gentilmente, sugeriu: “Se você ouvir com atenção, poderá ouvir o Senhor dizendo: ‘Deixe-me entrar nisto!’”

Como enfrentamos os desafios e problemas da vida? Como lidamos com a “água ruim” e o “veneno” em nossos próprios corações e vidas? Podemos tentar, tentar e tentar nos livrar de certas coisas. Podemos fazer resolução após resolução, e, com muita frequência, o resultado é fracasso após fracasso. Por quê? Provavelmente porque estamos buscando uma solução humana em vez de uma solução divina. Quando nos concentramos no princípio de sem morte na panela: deus na rotina, mudamos o foco dos esforços humanos para os resultados divinos.

A realidade é esta: o pecado faz com que você e eu não consigamos consertar a nós mesmos por conta própria. Simplesmente não temos a capacidade nem os recursos para atingir o padrão de Deus por nossos próprios meios. Toda a humanidade está no mesmo barco. Precisamos de ajuda. Precisamos de algo fora de nós que venha em nosso auxílio.

E é aí que entra o Evangelho.

O Senhor Jesus Cristo, o Filho do Deus Vivo, veio à Terra vindo de fora dela. Ele não estava e não está restrito aos recursos terrenos. Ele não estava e não está contaminado pelo pecado humano. Ele Se entregou como sacrifício para pagar a pena dos nossos pecados e satisfazer as exigências da justiça divina em nosso favor por meio da Sua morte na cruz. E então, Ele venceu a morte, o inferno e a sepultura em Sua gloriosa ressurreição.

Mas adivinhe? Se a história terminar aí, nossa condição continua inalterada. É aqui que muitas pessoas param. Elas dão um assentimento intelectual aos fatos do Evangelho, mas não entram na experiência do Evangelho. Elas dizem: “Sim, eu creio.” E crer é uma parte vital da fé. A Palavra de Deus pergunta: “Como invocarão Aquele em quem não creram?”

E a resposta é óbvia: não invocarão. Portanto, crer é fundamental, mas a Palavra de Deus também nos diz que até os demônios crêem — e tremem! Não basta apenas crer; nossa salvação depende de quem recebemos. Algo da parte de Deus precisa ser acrescentado à nossa vida.

Eliseu teve que colocar o sal. Ele teve que colocar a farinha. Nós temos que deixar Cristo entrar.

“Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus…”

— João 1:12

Aqui, no início do Evangelho de João, está a declaração de que é àqueles que O recebem que é dado o direito de se tornarem filhos de Deus. Sim, eles crêem em Jesus, mas, com base nessa fé, eles O recebem. Crer é a base; receber é a necessidade.

Assim como o prato de sal de Eliseu, abrir espaço para ter deus na rotina é o elemento essencial de que precisamos para receber a Sua graça.

No último escrito do Novo Testamento, o mesmo João registra Jesus dizendo (Revelação / Apocalipse 3:20):

“Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo.”

“Entrarei.” Há uma entrada da parte de Deus. Jesus diz que entrará.

Não há dúvida de que precisamos ter o pecado removido. Mas a única maneira de ter o pecado removido é permitindo que o Senhor Jesus Cristo entre. Ele derramou Seu sangue na morte para promover o perdão dos nossos pecados e ressuscitou para colocar em nós a Sua graça, o Seu amor e o Seu poder.

Quando entregamos nossa vida a Ele, experimentamos uma existência sem morte na panela, pois Ele entra com poder para curar as águas da nossa alma e remover o veneno da nossa vida.

Acolher o Senhor no dia a dia não é apenas uma sugestão; é o caminho para a liberdade. Foi para isso que Ele nasceu. Foi para isso que Ele morreu. Foi para isso que Ele ressuscitou. E é para isso que Ele vive. Nós precisamos que Ele entre. Você precisa que Ele entre. Ele está apenas esperando o convite. Ter deus na rotina é a decisão mais importante que você pode tomar hoje.