Buscando os Perdidos: 4 Observações Sobre o Coração de Deus

A História de Zaqueu: Um Estudo Lucas 19 Sobre Como Jesus Busca os Perdidos

A missão de buscar os perdidos é central no Evangelho. Lucas 19:10 registra a história de Zaqueu e seu encontro com Jesus. Jesus estava passando por Jericó pelo que seria a última vez. Este cobrador de impostos de baixa estatura queria ver Jesus e reconheceu isso como uma oportunidade. Devido à sua altura limitada, ele teve que ser um pouco criativo para conseguir isso, e assim o fez: ele subiu em um sicômoro.

Pode-se dizer que ele “se arriscou” nos galhos para conseguir ver Jesus. Leia o texto completo de Lucas 19:10 no BibleGateway. Embora muitos utilizem um estudo Lucas 19 para entender a conversão do cobrador de impostos, o texto também oferece um olhar profundo sobre o coração de Deus pelos perdidos.

Agora vamos virar a moeda. Jesus está passando por Jericó e, quando chega àquele local, olha para cima, chama Zaqueu pelo nome e se convida para jantar na casa dele. A Bíblia diz que Zaqueu “desceu depressa e o recebeu com alegria”, apesar das objeções e murmurações dos espectadores. As pessoas que cobravam impostos para o governo romano eram desprezadas pela população local, consideradas traidoras de Israel e famosas por cobrar a mais, trapacear e pela desonestidade em geral. E Zaqueu era um cobrador de impostos. Reação da multidão: “Ele (Jesus) foi hospedar-se na casa de um ‘pecador'” (v. 7).

Zaqueu imediatamente expressou um compromisso significativo: “Senhor, resolvi dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais” (v. 8).

Resposta interessante. Ao dar metade de seus bens aos pobres, Zaqueu estava cumprindo o princípio de arrependimento que João Batista havia declarado: “Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma…” E, ao se comprometer a devolver quatro vezes mais qualquer quantia que pudesse ter obtido por meios ilegítimos, ele estava cumprindo a lei delineada em Êxodo 22 para a restituição de propriedade roubada e, em algumas dimensões, indo além dela.

Jesus resumiu a situação desta forma: “Hoje houve salvação nesta casa, porque este homem também é filho de Abraão. Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido” (v. 10).

Vamos extrair alguns dos aprendizados revelados neste episódio.

Nunca sabemos quando chegou a nossa última oportunidade

Jesus nunca mais passaria por Jericó, mas Zaqueu não sabia disso. Ele simplesmente agarrou a chance que a ocasião proporcionou. Amigos, a Palavra de Deus nos diz: “Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto” (Isaías 55:6). Temos que aproveitar a oportunidade enquanto ela existe; uma vez que passa, já era. Não sabemos a hora de nossa própria morte e não sabemos a hora do retorno do Senhor. O que sabemos é que “Agora é o tempo favorável; agora é o dia da salvação” (2 Coríntios 6:2b). Nenhum de nós sabe quando chega a nossa última oportunidade de nos afastarmos dos nossos pecados e nos voltarmos para Cristo.

Jesus te conhece pelo nome.

O Senhor não precisou de apresentações para chamar Zaqueu pelo nome quando olhou para ele na árvore. Ele sabia quem ele era. E sabia o que ele era. Ele sabe quem você é. Ele sabe o que você é também. Ele conhece seus pensamentos mais profundos. Ele conhece seus pontos fortes e conhece suas fraquezas. E sabe de uma coisa? Ele te ama. Ele te ama independentemente das suas fraquezas, e Ele te ama independentemente dos seus pontos fortes. Ele nos conhece. Ele te conhece. Pelo nome.

A restituição demonstra a sinceridade do nosso arrependimento.

Quando Jesus o chamou para descer da árvore, Zaqueu não hesitou em recebê-lo; ele “o recebeu com alegria”. Ele também prometeu generosidade imediatamente e se comprometeu a consertar qualquer erro que tivesse cometido. João Batista foi o principal pregador do arrependimento, e sua mensagem vinha com este corolário: “Produzam frutos que mostrem o arrependimento” (Lucas 3:8). Eu acredito que, quando nos achegamos a Cristo, há uma motivação instintiva de querer consertar tudo o que podemos.

O coração de Deus pelos perdidos é nos buscar para o arrependimento, mas há algumas coisas que você não pode desfazer. Em questões econômicas e financeiras, devemos honrar o Senhor fazendo a restituição onde for possível. No entanto, em situações onde isso é impossível — como a história de um evangelista que conheci que cometeu incêndio criminoso antes de sua conversão — nós dependemos da graça de Deus. Nós nos arrependemos, confessamos nossos pecados, recebemos o perdão de Deus e agradecemos a Ele por Sua misericórdia.

O coração de Deus pelos perdidos: Jesus está procurando por pessoas perdidas.

Lucas 19:10 é uma das declarações de propósito mais significativas de Jesus: “O Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido.” Ele veio buscar e salvar o que estava perdido. Quando você busca algo, você procura com um grau de determinação. Vemos isso nas parábolas que Jesus contou em Lucas 15: o pastor procurando a ovelha perdida e a mulher procurando sua moeda de prata. Jesus está procurando por pessoas perdidas porque Ele quer vê-las salvas. Deus declara: “Não tenho prazer na morte dos ímpios, mas sim em que eles se desviem dos seus caminhos e vivam” (Ezequiel 33:11). Ele “não quer que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento” (2 Pedro 3:9).

Para nossa salvação, Jesus deixou o céu, assumiu a forma humana e entregou-se como sacrifício totalmente suficiente para pagar a pena pelos nossos pecados — um sacrifício que comemoramos na mesa da comunhão. Após ressuscitar e retornar à glória do Pai, Ele enviou o Espírito Santo para continuar a busca pelos perdidos.

Ele quer trazê-los para casa e Ele nos alistou — você e eu — para nos unirmos a Ele nessa busca. Como nos é dito para “ir por todo o mundo e fazer discípulos de todas as nações”, nossa tarefa é procurar os perdidos. Diga a eles a novidade de que Deus os ama e de que Jesus Cristo providenciou tudo para que encontrem uma vida plena. Em João 10:10, Jesus chama isso de “vida em abundância”.

Deus está ativamente buscando os perdidos, e Ele enviou o Seu Espírito Santo para capacitar você e a mim nessa mesma missão. Aqui está a pergunta desafiadora: Quando foi a última vez que você procurou deliberadamente alguém para iniciar uma conversa com o propósito de compartilhar Jesus com ela e, como se a pessoa abrisse a porta, a ajudou a orar para convidar Jesus a entrar?

Deus está procurando intercessores.

Ezequiel 22:30: “Procurei entre eles um homem que erguesse o muro e se colocasse na brecha diante de mim, em favor da terra, para que eu não a destruísse, mas não encontrei nenhum.”

Este versículo das Escrituras ocorre no contexto da descrição da violência, da vergonhosa perversão e da idolatria da cidade de Jerusalém. Ler o capítulo inteiro quase revira o estômago, mas o versículo 26 fornece uma espécie de avaliação resumida: “Seus sacerdotes cometem violência contra a minha lei e profanam as minhas coisas santas; não fazem distinção entre o santo e o profano; ensinam que não há diferença entre o puro e o impuro…”

Deus viu a degradação absoluta em Jerusalém e Judá e procurou uma pessoa que interviesse, construísse a justiça e se colocasse diante dEle, Deus, na brecha em favor da terra, para que Ele não tivesse que destruí-la. O que Ele estava procurando? Ele estava procurando um intercessor. Mas Ele não encontrou ninguém. E Jerusalém foi destruída e o povo levado cativo.

Se a nossa sociedade atual afundou tanto assim, apenas Deus está qualificado para julgar completamente, mas vemos cada vez mais os mesmos tipos de coisas acontecendo ao nosso redor em intensidade crescente. E os sinais de alerta realmente soam quando os líderes da sociedade em qualquer segmento, sejam nacionais, estaduais ou locais, começam a insistir que não há diferença entre o puro e o impuro. Em outras palavras, a sociedade começa a dizer que não há certo ou errado, exceto que é errado dizer que algo é certo e outra coisa é errada.

O profeta Isaías expôs isso da seguinte forma: “Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal; que fazem das trevas luz, e da luz, trevas; do amargo, doce, e do doce, amargo.” (Isaías 5:20)

Se a sociedade ocidental ainda não chegou a esse ponto, está perigosamente perto. Então, qual é a resposta de Deus? Ele está procurando intercessores. O coração de Deus pelos perdidos é buscá-los, e Ele está procurando homens e mulheres que orem e busquem a Sua face. Ele quer pessoas que clamem por Sua misericórdia sobre sua cidade, seu estado e sua nação. Ele está procurando intercessores que apoiem a pregação da Palavra de Deus com orações fervorosas.

Isso permite que os muros protetores da justiça sejam reconstruídos, para que as pessoas possam ser salvas e o julgamento evitado. O apóstolo Paulo pediu esse mesmo apoio em Efésios 6:19 quando escreveu: “Orem também por mim, para que, quando eu falar, me seja dada a mensagem a fim de que, destemidamente, torne conhecido o mistério do evangelho…”

Quero ligar este ponto ao nosso primeiro tema: muitas pessoas que vêm a Cristo tiveram alguém intercedendo por suas almas muito antes de se tornarem crentes. Descobri que isso era verdade na minha própria vida.

Eu sabia do evangelista que me desafiou, mas não sabia, até depois de ser salvo, que ele havia gerado oração por mim em todo o país. Ele incluiu uma fotografia minha — com um círculo desenhado ao meu redor — no final de um hinário usado em reuniões de tenda com a mensagem: “Orem por este jovem.”

Também não sabia, até depois de minha conversão, que meu irmão mais velho e um colega cristão em seu local de trabalho haviam concordado em jejuar nos almoços de quarta-feira para orar pela minha salvação. Então, eis o que quero incentivá-lo a fazer. Ore por essa pessoa perdida. Seja um intercessor por ela. Coloque-se diante de Deus em nome dela e ore por sua salvação. Deus está procurando pessoas que façam isso.

3. Deus está procurando adoradores.

Tenho muitas porções favoritas nas Escrituras. João capítulo 4:1-26 é uma delas. Este é o relato da jornada deliberada de Jesus por Samaria (v. 4: “Era-lhe necessário passar por Samaria”), onde Ele chega ao poço de Sicar e inicia uma conversa com a mulher que vem buscar água. Tenho a nítida impressão de que ela era uma pessoa perdida que Ele estava procurando. A conversa começa com água, mas termina em adoração.

Depois que Jesus apresenta fatos da vida dela que Ele só poderia saber se Deus os revelasse a Ele, ela muda de assunto, e não há melhor maneira de contar a história do que como a Bíblia a conta: “Senhor, vejo que é profeta”, diz ela. “Nossos antepassados adoraram neste monte, mas vocês, judeus, dizem que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar.”

“Jesus declarou: ‘Creia em mim, mulher, está próxima a hora em que vocês não adorarão o Pai nem neste monte, nem em Jerusalém. Vocês, samaritanos, adoram o que não conhecem; nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. No entanto, está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura. Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.'”

Ela não teve resposta para o argumento de Jesus a não ser dizer: “Sei que o Messias está para vir. Quando ele vier, nos explicará todas as coisas.” Então Jesus lhe disse: “Eu sou o Messias, eu que estou falando com você.” Esta é a revelação mais direta de Si mesmo que Jesus deu a qualquer pessoa em Seu ministério terreno. E esta é a explicação mais clara sobre o que é a verdadeira adoração que encontraremos em qualquer lugar nas Escrituras.

Quatro observações:

  • O Pai está procurando por um certo tipo de adoradores – verdadeiros adoradores.

 

  • A verdadeira adoração não é sobre um lugar – não neste monte ou em Jerusalém.

 

  • A verdadeira adoração está ligada à salvação – “Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus.” Você vê a conexão que Ele faz.

 

  • A verdadeira adoração é a adoração em espírito e em verdade. Isso me diz que a adoração, a verdadeira adoração, vem do coração – essa é a parte do espírito. A pessoa interior derrama seu reconhecimento da grandeza de Deus e sua adoração a Ele com expressões de amor, lealdade e devoção. Isso também me diz que a verdadeira adoração vem da mente – essa é a parte da verdade. Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.” A verdadeira adoração tem que reconhecer a indispensabilidade de Cristo em nossa aproximação a Deus. “…”

Não precisamos de uma montanha; não precisamos de uma certa cidade; não precisamos de acessórios, ajudas ou ídolos. Só precisamos de Jesus.

Arni Schmeichel

 

Precisamos conhecê-Lo e honrá-Lo como Salvador e Senhor, e precisamos expressar isso de nossos corações tanto em palavras quanto em ações. Essa busca diária por intimidade é muito semelhante à obra de cura de Eliseu, onde aprendemos que convidar Deus para a vida diária age como o sal que restaura nossos corações. É através desse convite constante que a nossa adoração se torna verdadeiramente viva. É isso que Deus está procurando. É por isso que o coração de Deus é para os perdidos.

Que tipo de adorador você é?